Quando finalmente o conjunto de faculdades necessárias à ação é reunido: energia, economia, tempo, vontade, chega o momento da visita. Prepara-se a mochila para o tão desejado e apelativo encontro “Vem quando quiseres, Ficas o tempo que quiseres, Quando vens?
Então, percebendo a proximidade da visita, ego antecipadamente alimentado na previsível ação afetiva, a entidade a ser visitada responde fria e resumidamente «Este fim de semana não dá!»
Que mensagem se capta desta frase? O visitante está no último lugar da lista das prioridades.
Depois de toda uma vida esforçada, ele consegue a almejada, confortável, e bela casa. Vem orgulhoso à janela nesse dia de céu azul luminoso, cumprimenta o vizinho que passa, e dispara uma sucessão de ruidosas e nojentas cuspidelas para a rua.
O vizinho franze o rosto no sofrimento de toda aquela nojice repulsiva.
Não seria necessária a mínima reflexão inteligente à boa conduta social, se em qualquer destas situações o ator usasse de alguma sensibilidade estética, exatamente assim como quem aprecia uma pintura ou composição musical.
A estética não é, não pode ser apenas função dos artistas em suas obras de arte. Ela deve sair das obras de arte e acompanhar-nos em tudo onde agimos, desde pensamentos, ações, obras, porque ela é tão eficaz quando usada com alguma sensibilidade, que se torna moral, indo até mais além.
Assim, uma educação estética boa, é indispensável a uma conduta saudável como seres civilizados, e equilibrados, quer se trate do cuidar das árvores no quintal, ou até relacionarmo-nos com alguém nesse ato estrondoso de fechar o portão de chapa da garagem.
Que se cultivem as belas-artes, indispensáveis ao lado das ciências, mas na consciência de como nos podem ser úteis.

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